quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Palavrões em livros didáticos (?)

Não pude acreditar no que li agora mesmo no site do jornal O Globo (acesse a matéria do site aqui): livros didáticos com palavrões? Mais um absurdo da nossa educação! Fiquei muito indignada! Acompanhem.

"SÃO PAULO - Uma polêmica ganhou as ruas de Minas Gerais. Após casos semelhantes em São Paulo, agora foram os alunos da rede estadual mineira de ensino que receberam livros com palavrões.

Palavras de baixo calão aparecem em textos de literatura, usados em frases em que os personagens demonstram raiva. No texto aparece frases como 'Quem foi o grande filho da p... que me derrubou?' e 'Carimbê fica com vontade de mandá-lo tomar no c...'

'Eu fiquei bem assustada, porque eu nunca tinha visto um livro com essas palavras. São bem pesadas mesmo. Eu não gosto que falem, não falo.'

O livro foi distribuído para alunos do Ensino Fundamental até o 9º ano e provocou a indignação de pais, professores e alunos. A dona de casa Rosane Ferreira levou um susto ao ler livros da filha. Entre textos, exercícios de português e matemática, ela encontrou palavrões.

Um professor de português, que não quer se identificar, se recusou a usar o livro em sala de aula.

- Eu fiquei indignado. O aluno, por mais que fale esse tipo de palavras, não é na escola que ele deve aprender. Aliás, na minha sala de aula nem o direito de falar isso ele tem - afirma.

- Eu não posso mandar os alunos rasgarem o livro que é do estado, mas minha vontade foi essa - diz o professor.

O professor, no entanto, não conseguiu impedir que os alunos tivessem acesso ao livro, que continua sendo usado para as aulas de matemática.

- É uma falta de respeito, porque é uma escola. E isso não devia estar aqui. Não só por causa da gente, mas pelos professores também - comenta um aluno.

- Eu falei com meu professor que eu podia falar essas palavras, porque estava aprendendo no livro. Poderia falar em casa. É uma falta de respeito, porque é uma escola e isso não deve estar na escola. Não só para a gente, mas para os professores também - diz outro aluno.

A Secretaria de Educação de Minas Gerais informou que o livro foi aprovado pela equipe pedagógica e só deve ser usado por alunos que tenham mais de 15 anos."

Ah! Agora sim, para os maiores de 15 anos pode, está explicado... vamos ensinar nossos adolescentes a serem mal educados porque não tem problema nenhum... depois, quando aumentam o número de jovens envolvidos com drogas, violência, matando pessoas - inclusive pais e professores - vão falar o quê? Começa com um palavrão, que leva à falta de respeito, que leva à violência e a todo o resto. "Parabéns" para a equipe pedagógica que escolheu este material! "Excelentes" profissionais!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Uma nova visão

Todos os textos servem para refletirmos, nos trazem uma experiência – de qualquer coisa que seja – para aprendermos cada dia mais. Contudo, em várias vivências, tenho analisado o comportamento das pessoas em relação a determinadas situações expostas.

Quando um professor, aqui generalizando homens e mulheres, ensina a seus alunos uma matéria, por exemplo, o romantismo como classe literária, qual é a sequência que deve ser utilizada? O professor prepara a aula, seus conceitos, indicação de um livro pertencente ao gênero, repassa a seus alunos durante os 50 minutos de aula e... ? Acaba aqui a aula ou espera-se que o aluno reflita a partir do que foi falado em classe, busque estudar um pouco mais a matéria por conta própria, siga a indicação e traga para a aula um debate a respeito da obra?

Acredito que a maioria responderia citando a segunda opção, mas tenho certeza que você, leitor, já está falando baixinho na frente do computador: “É, isso se os alunos realmente fizessem a tarefa ou pelo menos se interessassem pela aula.” Aqui já consigo chegar ao ponto que citei no começo deste texto, sobre comportamento das pessoas.

Se você, professor(a), escolheu esta opção – de que seu aluno permaneceria em um processo de aprendizagem reflexivo – sabe da importância de tomar atitudes, investir tempo e disposição em criatividade e, principalmente, pensar sozinho. E você, pratica isso? Saiba que tenho até me assustado com um quadro alarmente de que um grande número de professores que não corresponde a este processo, ou seja, escolhe a opção de “acabar aqui” em muitos passos de sua profissão e carreira. Veja alguns exemplos que verifiquei depois de conversar com alguns professores. Essas são as mensagens subentendidas nas conversar e algumas solicitações denominadas de ajuda:

“Os alunos não querem estudar e isso é motivo para eu não me empenhar em fazer uma aula de qualidade.” “Todos os anos eu realizo as mesmas atividades, pois elas já estão prontas, e como ministro muitas aulas, reutilizá-las fica mais fácil.” “Ao invés de pedir a um colega uma sugestão para uma aula, já peço um plano de aula completo a respeito do tema que vou precisar.” “Por que tentar fazer sozinho se já posso ter pronto de outra pessoa?”

Claro, não são todos os professores que têm estas atitudes. Muitos procuram realmente ajuda, mas não estacionam nesta – utilizam esta ajuda para crescer e repensar suas práticas.

Contudo, eu acredito que não poderíamos ter nenhum professor pensando desta forma. Toda profissão tem suas glórias e sempre há alguma falta de reconhecimento, mas para criarmos uma “profissão: professor” que signifique importância, há de se aprender a pensar sozinho, se ter que ser “pego pela mão” para ir adiante, criar coisas novas ou apenas implementá-las. Nosso próximo JV é começo de outubro, mês do professor. Ano passado publiquei depoimentos de alguns cadastrados, inclusive o seu pode ter sido um deles, você lembra? Este ano pensei numa proposta diferente, que envolve o pensar criativamente e à frente. São dicas de planos de aula que estarão disponíveis em nosso site para você adquirir. Então, comece já a refletir sobre essas posturas que coloquei acima; se você não as tem, ótimo, mas se conhece algum colega que tem este costume, tente ajudá-lo a mudar este comportamento ok?

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Biblioteca na escola - passo a passo

Continuando a proposta de ontem do texto retirado da revista Gestão Educacional de setembro, de autoria de Guilherme Soares Dias.

1) Destaque um profissional. Dê preferência a um bibliotecário, pois ele tem formação específica para trabalhar na área. Caso não seja possível, disponibilize um educador que goste de ler e que fique exclusivamente na biblioteca.

2) Crie um espaço agradável. O local deve ser arejado, ter boa iluminação natural (que não incida sobre o acervo), mobiliário de tamanho adequado (o público deve alcançar todos os livros) e de material resistente. Reserve lugares para leitura individual e, se possível, para atividades que propiciem troca de experiência.

3) Cuide do acervo. O ideal é disponibilizar dez livros para cada estudante.O profissional responsável deve ir a bibliotecas públicas, entrar em contato com editoras, ver e ler títulos que estão sendo adotados em outros lugares. As editoras lançam catálogos com publicações de lançamentos, que também podem ser consultados. “Não tem como se distanciar da sala de aula, mas também precisa haver livros de ficção e materiais para entretenimento”, defende Rita Pisniski, bibliotecária, diretora da Biblioteca Pública Monteiro Lobato, de São Paulo (SP), e voluntária de uma biblioteca comunitária na periferia da capital paulista.

Outra preocupação é a atualização do acervo. Caso haja doação de material, deve-se selecionar aquilo que será exposto e o que pode ser guardado em uma parte mais histórica ou mesmo não ser aproveitado. “Não dá para deixar um aluno consultar um livro antigo de geografia, por exemplo, e ele achar que aquilo é atual. A situação geopolítica muda constantemente e um livro de dez anos pode ser considerado velho”, comenta Rita.

4) Tenha um sistema de catalogação adequado. A classificação de livros deve ser feita de forma que o usuário os encontre com facilidade. O sistema pode ir desde softwares disponíveis na internet até o simples código de cores que separa os livros por áreas. Como um exemplo: vermelho para exatas, azul para humanas, amarelo para biológicas e verde para infantil.

5) Mantenha a biblioteca “viva”. Após os quatro primeiros passos, você tem uma biblioteca. Agora precisa trabalhar esse espaço para que seja dinâmico, agregue pessoas, torne o público fiel e atraia cada vez mais leitores. Saraus, recitais, oficinas, leituras em grupo, atividades culturais e contação de histórias são várias maneiras de propiciar momentos de troca entre os usuários da biblioteca. “Eles precisam se apropriar desse espaço. Essas atividades também se tornam um motivo para voltar”, conclui a bibliotecária.

Fonte: Rita Pisniski, diretora da Biblioteca Pública Monteiro Lobato, de São Paulo (SP)

Sites com conteúdos para enriquecer a biblioteca
• Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro: especializada em literatura em língua portuguesa – www.bibvirt.futuro.usp.br
• EBooksbrasil: livros eletrônicos gratuitos em diversos formatos – www.ebooksbrasil.com
• Jornal da Poesia: acervo de poesia em língua portuguesa, com textos de mais de 3 mil autores – www.secrel.com.br/jpoesia
• Virtual Books Online: e-livros gratuitos em português, inglês, francês, espanhol, alemão e italiano – virtualbooks.terra.com.br
Fonte: Conselho Federal de Biblioteconomia.

Números do setor editorial no Brasil
• Excluindo-se as compras de livros didáticos pelo governo, ou seja, considerando os preços praticados nas vendas ao mercado, a FIPE apurou uma queda do preço médio efetivo entre 2004 e 2008 de 24,5% no segmento de livros didáticos, 22,4% de obras gerais, 38% de livros religiosos e 23,3% no segmento de livros científicos, técnicos e profissionais. A queda foi facilitada pela desoneração do PIS e da COFINS sobre o livro, determinada pelo governo federal e o Congresso em 2004.
• De 2007 para 2008 houve aumento de 13,3% no número de títulos publicados. Pela primeira vez, foi ultrapassada a marca de 50 mil novos títulos lançados em um ano.
• No mesmo período, houve queda de 3,17% no número de exemplares produzidos. Ela se deve à redução de 18% no número de exemplares produzidos pelo setor de livros didáticos no ano passado. A produção menor ocorreu pelo fato de que, em 2007, o Governo Federal comprou livros para o ensino fundamental, e em 2008, livros para o ensino médio, que tem um número significativamente menor de alunos.
Fonte: Pesquisa anual sobre Produção e Venda do Setor Editorial Brasileiro divulgada pela CBL (Câmara Brasileira do Livro) em agosto de 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Como montar uma biblioteca

Este texto foi retirado da revista Gestão Educacional de setembro. Dividi em 2 partes, pois é um pouco longo. Para amanhã ficam dois passo a passo da biblioteca ok?

"Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 4536/08, que dá prazo de cinco anos para que todas as escolas públicas e privadas do País tenham bibliotecas. O projeto do deputado Marcelo Almeida (PMDB-PR) considera como acervo ideal a média de três livros por aluno matriculado, mas não fixa prazo para essa meta ser alcançada. Sejam obrigatórias ou não, o fato é que as bibliotecas auxiliam no estudo e aproximam escola e aluno. Confira nesta reportagem detalhes de como montar uma biblioteca para instituições de ensino, tornando-as mais atrativas e estimulando a leitura.

Para criar um espaço de troca de conhecimento e tornar os alunos assíduos, a escola pode apostar em algumas estratégias. A biblioteconomista Andrea de Oliveira Alves, de São Paulo (SP), afirma que o processo começa com a análise da faixa etária do público e de suas necessidades. É preciso verificar o perfil dos alunos: a classe socioeconômica, o nível de escolaridade e se há estudantes deficientes visuais ou motores.

É preciso contratar uma pessoa para organizar esse local dentro da instituição. 'O bibliotecário é o mais apto para analisar o público e possui códigos para catalogação e classificação do acervo' afirma Andrea. Também são funções desse profissional: desenvolver uma política de coleção de acervo e usá-la constantemente, organizar os materiais para que sejam encontrados posteriormente, elaborar e usar vocabulário controlado de acordo com seus usuários e prestar o suporte necessário na referência ao usuário, ajudando-o a desenvolver estratégias de pesquisa. 'O bibliotecário também é o mais hábil para contornar qualquer problema relacionado à falta de estrutura ou de instrumentos para a execução do seu trabalho. Na falta de um código de catalogação, por exemplo, ele é capaz de criar um que lhe atenda e sirva aos frequentadores da biblioteca', esclarece a biblioteconomista.

Os livros devem atender as necessidades dos alunos: não existem modelos de bibliotecas prontos. Tudo depende da realidade do público, porém, tratando-se de uma biblioteca escolar, é indispensável que existam livros didáticos e de literatura, de acordo com a faixa etária dos estudantes, para que sirvam de apoio e incentivo à instrução do aluno.

O acesso à informação não pode ser limitado apenas a livros e materiais impressos. 'Há diversos suportes que permitem uma maior interação do usuário com a informação, tornando-a mais atrativa, como suportes virtuais (acessíveis por computador), auditivos e visuais, como CDs de música e filmes em DVDs', ressalta a biblioteconomista.

Caso exista fácil acesso a computadores e à internet, a biblioteca do colégio pode incluir em seu acervo materiais cujos direitos autorais já estão em domínio público. A busca pode ser feita, por exemplo, pelo site Domínio Público (www.dominiopublico.gov.br).

A biblioteca iniciante também pode contar com o programa do governo federal de criação desses espaços, disponível no site do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas da Biblioteca Nacional (www.bn.br/snbp). O sistema é válido também para escolas públicas.

O Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) sugere que o espaço destinado aos livros seja 'aconchegante, iluminado, arejado e tranquilo, permitindo aos frequentadores discutirem e trocar experiências sem atrapalhar os usuários que precisam de silêncio'. Área para leitura e cabines individuais ou para grupos também são recomendadas. Como muitas bibliotecas não dispõem de espaço adequado sequer para seu acervo, o CFB indica que o bibliotecário estabeleça horários para estudos em grupo e individuais.

O estudante também deve se sentir confortável, seja no chão – com tapetes, pufes e almofadas – ou em mesas e cadeiras. As estantes pecisam ser acessíveis e de materiais resistentes. Se forem de madeira, com tratamento contra cupins e outras pragas que podem atacar os livros. É indicado que as prateleiras sejam móveis, para que se adequem ao tamanho dos livros e, assim, proporcionem um melhor aproveitamento do espaço.

A especialista Andrea ainda defende o uso de softwares de gerenciamento que facilitam o trabalho de administração do acervo. 'Eles permitem controle de entrada e saída dos livros, possibilitam melhor conhecimento dos interesses de seus usuários e evitam perdas e prejuízos. Também ajudam na pesquisa e conferência do acervo. Para isso, não há necessidade de grande investimento financeiro, uma vez que existem softwares gratuitos que atendem as necessidades de bibliotecas pequenas e médias', lembra. Se a biblioteca não possuir recursos para adquirir um computador, pode-se recorrer a métodos mais convencionais, como fichas de empréstimo.

Além da leitura

A biblioteca escolar também precisa ser dinâmica e oferecer atividades culturais, como grupos de estudo de obras literárias ou das matérias em estudo. O espaço pode permitir e incentivar o diálogo entre os alunos, dirigentes, funcionários e professores, além de incentivar o pensamento crítico. 'Jamais deve ser um lugar repressivo ou de castigo. Se o professor manda o aluno para a biblioteca como punição ao mau comportamento, o aluno nunca desejará procurar a biblioteca', lembra Andrea.

O Programa Nacional do Livro e Leitura disponibiliza em seu site (www.pnll.gov.br) uma lista de projetos atuantes e seus resultados. São exemplos como o da Biblioteca Pública Infantil Professora Aglaé D´Ávila Fontes de Alencar, de Aracaju (SE), que desenvolve o projeto '1, 2, 3... Era uma Vez', oferecendo leitura, entretenimento e pesquisa ao público infantil e infanto-juvenil. São realizadas oficinas de narração de histórias, teatro de fantoches, exposições, oficinas de artes, desenho e pintura, apresentação de vídeos, concursos e outras atividades culturais. Após a implantação do projeto em 2007, o número de visitantes por mês saltou de 35 para 400. A quantidade de livros emprestada mensalmente quintuplicou, passando de 20 para 100. "

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Em um mesmo texto, múltiplos sentidos

Olá pessoal, um texto que deu muito retorno no JV foi este e gostaria de compartilhar com vocês. Lembrando do Concurso Cultural “Meu projeto é nota 10” que postei aqui no blog (acesse aqui), as inscrições vão até dia 30/09! Participem!

JORNAL VIRTUAL PROFISSĂO MESTRE
Profissăo Mestre – Ano 7 Nº 135 – 18/09/2009

Em um mesmo texto, múltiplos sentidos

Em um curso de aperfeiçoamento, foi proposto que interpretássemos uma música de Chico Buarque de Holanda. Muitos de nós fizemos adivinhações e poucos (para alívio meu) sabiam realmente do que tratava o texto. Achávamos que a letra da música referia-se ao amor de uma mulher por um homem que a deixava sozinha, ou vice-versa. A vergonha foi saber que a personagem principal era uma criança que reclamava a presença da mãe. Que diferença!

O que pode ter acontecido? Simples, ignorávamos o contexto de produção, isto é, não tínhamos conhecimento sobre a situação em que fora criada a música. Isso quer dizer que o sentido de um texto não depende somente da clareza do autor, da escolha das palavras que utiliza e do contexto social de sua criação; depende também dos conhecimentos prévios do leitor sobre determinado assunto que podem ser diferentes do conhecimento do autor e diferentes de outro leitor. Ou seja, o sentido dado ao texto pode ser múltiplo porque múltiplos são os leitores. Para exemplicar, conto-lhes outra situação.

Num curso de capacitação de professores, comentei a beleza de determinado livro e o quão a história havia me tocado a ponto de me levar às lágrimas. Na semana seguinte, uma das alunas disse-me com desdém: “Eu li o livro que você comentou e eu não achei nada emocionante”. Qual seria o motivo? Aí trata-se do contexto de uso. No momento em que li o livro eu poderia estar mais emotiva, ou poderia sentir empatia pela situação vivida pela personagem, diferentemente da outra leitora que poderia estar mais “fria” para a recepção daquela informação. Você já ouviu a frase “quando li o livro pela segunda vez percebi coisas que não havia notado antes”? Isto quer dizer que o contexto de uso modificou. O leitor, entre a primeira e a segunda leitura, pode ter amadurecido ou experenciado situações novas que influenciaram sua compreensão.

Daí a causa das múltiplas interpretações dada ao livro mais conhecido do planeta: a Bíblia. Justificam alguns que as mensagens são metafóricas e por isso permitem liberdade de interpretação; outros, mais conscientes, pesquisam o momento sociocultural dos fatos relatados, buscam na etimologia o significado histórico de determinada palavra. Tudo isso para evitar interpretações equivocadas.

Mas para tudo há um limite. Para cada texto há uma exigência. Os textos jurídicos, relatórios, atas e similares devem ser claros a ponto de não permitir interpretações distantes de seu propósito. E, do outro lado, o leitor deve buscar o maior número de informações para que não cometa o equívoco que cometi em relação à letra da música.

E daí, o que isso tem a ver conosco, pais e professores? Ora, diante desse conhecimento, devemos estar atentos às expectativas – geralmente alta – que criamos em relação ao rendimento de nosso filho ou aluno nas avaliações que verificam o grau de compreensão leitora.

Nós, que o avaliamos, devemos considerar seu conhecimento prévio em relação ao tema tratado, seja ele de um fato histórico, de uma palavra contida no enunciado de matemática, das observações que faz das estações climáticas, ou dos assuntos tratados no jornal falado da T.V. Ninguém relaciona fatos que nunca presenciou ou teve informações, ninguém escreve sobre aquilo que não sabe ou entende. A aprendizagem parte de algo que conhecemos para o que não conhecemos. Da informação velha para a informação nova. É assim que acontece!

Para você pensar: “O meu povo está sendo destruído por falta de conhecimento”. Se você quiser evitar uma interpretação livre dessa frase e conhecer o porquê de seu pronunciamento o endereço é Bíblia – Oséias 4:6ª.

Grace de Castro Gonçalves é nossa colega de Jornal Virtual. Seu contato: gracegonçalves2004@yahoo.com.br

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Aula de crase - parte 2 - exercícios

Como sequência do post Aula de crase - parte 1 (clique para rever), aqui estão os exercícios para você trabalhar com seus alunos. Importante que você os deixe fazer os exercícios sozinhos e depois corrijam juntos, explicando novamente o porquê da crase ou não naquelas frases.

1. Complete com a ou à:

a) Escreve ..... resposta ..... lápis.
b) Uma .... uma, as lágrimas caíam de seus olhos.
c) Ele voltou .... tarde.
d) Fomos .... Inglaterra e .... França.
e) Comprei .... moto .... vista.
f) Ele não gosta de visitar .... barulhenta São Paulo.
g) Chegamos .... cidade de manhã cedo.
h) Ele se viu .... mercê dos bandidos.
i) Dirija-se .... moça que está no guichê.
j) Desejo muitas felicidades .... todos.
k) Encontramo-nos cara ... cara.
l) Comi um gostoso bife ... milanesa.

2. A ocorrência ou não de crase pode alterar o sentido de uma frase. Explique a diferença de sentido que há entre as frases abaixo:

a) Disse à professora que não aguentava mais aqueles meninos.

b) Disse a professora que não aguentava mais aqueles meninos.


3. Considere as palavras abaixo e marque-as com a crase quando for necessário:

a) Essas são as pessoas as quais devemos entregar os documentos.
b) Entregue aquelas pastas aqueles professores.
c) Acho que haverá aulas de segunda a sábado.
d) Diga aquele homem para voltar mais tarde.
e) Estamos a uma semana do início das aulas.
f) Avisei a todos que a reunião começaria as 10 horas.
g) Peça licença aquele fiscal para deixar a sala e ir a lanchonete.
h) Esse atleta venceu a corrida de ponta a ponta.

4. Complete as lacunas com a, à ou há:

a) Encontrei com ... professora ... poucos instantes.
b) Alguma coisa aqui está cheirando .... queimado.
c) Ela deu ... luz uma linda criança.
d) Explique ..... meninas por que .... festa foi adiada para .... semana que vem.
e) Vamos encontrá-lo daqui ... alguns dias, quando formos .... fazenda.
f) Você já foi .... Bahia?
g) Ele chegou ... dez minutos, mas voltará ... sair daqui ... meia hora.

Exercícios retirados do livro "Estudos da Língua Portuguesa e Literatura", volume 2, Douglas Tufano.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Selo de reconhecimento

Oi Pessoal, estou bem corrida essa semana, então farei o possível para postar mais textos.

Hoje estou passando por aqui para postar o Selo de Reconhecimento que recebi do Professor Adinalzir, do blog saibahistória. Obrigada professor!

Preciso indicar mais 10 blogs para receberem este selo, aí vai:

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Plano de aula texto dissertativo e literatura

TEXTO DISSERTATIVO

Para este tópico, aconselho você, professor, a dar uma olhada (e ter inclusive) no livro Roteiro de Redação - Lendo e Argumentando (este aqui: http://www.fnac.com.br/roteiro-de-redacao-lendo-e-argumentando-FNAC,,livro-161571-1015.html). Ele é um curso ótimo de como escrever bons textos. No meu blog tenho como produzir um texto, contendo os 3 passos essenciais para isso, veja em http://priscilaconte.blogspot.com/2009/08/plano-de-aula-de-portugues-ortografia.html. Faça a mesma atividade, mas utilizando um texto dissertativo no lugar deste com erros e juntos encontrem as características do texto dissertativo. Posteriormente, eles terão de fazer o texto. Dê-lhes número de linhas a ser respeitado e palavras que precisam estar no texto. Além disso, faça-os colocar título.

LITERATURA

Conselho: pegue um livro interessante do realismo e já na primeira aula, lá de gramática, indique apra que eles comecem a ler. Quando chegar o momento da aula sobre o realismo, eles já terão uma noção do tipo de texto, de uma das obras do realismo e vocês poderão trocar ideias a respeito desta escola literária, não deixando uma aula monótona em que só o professor fala. Fale sobre outras obras desta escola e se possível mostre algumas obras de arte ligadas ao realismo para ajduar na fixação das características do realismo.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Plano de aula - adjuntos

Como foram de feriado? O meu foi um pouquinho maior, pois ontem era feriado municipal, então deu apra descansar bastante.

Hoje vamos falar um pouco sobre adjunto adnominal e adjunto adverbial, pedido de uma leitora do blog. Segue uma sugestão de aula.

Quanto à análise sintática, adjuntos é bem fácil de ser trabalhado, mas o problema é que geralmente os jovens acham que análise sintática é muito difícil. Primeira coisa que você deve mostrar que não é para despertar atenção e curiosidade.

Para isso, pegue frases de música que a faixa etária que vc vai dar aula costume ouvir, frases de poesis, ams tudo sempre na ordem direta, SUJ/PRED, para não embaralhar a cabeça deles.

Depois de escolher as frases, as coloque no quadro de maneira não linear; uma em cima, outra no meio, outra mais embaixo. Leia as frases com eles e perguntem se conhcem de algum lugar. Depois, uma a uma, vá questionando quem é o sujeito da frase, depois o que ele quer dizer (predicado), e deixe as marcações embaixo da frase no quadro. Depois, pergunte mais expecificamente a que classe de palavra pertence cada uma. Assim, você vai chegar aos nomes, ou seja, substantivo e verbos, o que facilita sua explicação sobre adjuntos.

Fale que adjunto quer dizer unido a alguma coisa, e comece a explicação do adnominal. Antes de entrar no adverbial, faça exercícios para fixação, e na hora da correção, repassem o conceito.

Agora é a vez do adjunto adverbial. Siga as mesmas instruções.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Aula de Crase - parte 1

Crase, para muitos, é um monstro que nunca ninguém vai aprender. E isso não é verdade! Com uma boa explicação é possível, sim, aprender - e não decorar - o uso da crase para a vida toda. Vamos lá?

Primeiro, é necessário dizer que crase não é acento e sim uma fusão de duas vogais, sendo uma delas preposição e a outra artigo.

Para não ficarem dúvidas e a fixação ser melhor, faça uma revisão do que é preposição (liga dois termos e estabelece relação de sentido entre eles) e mostre quais são as preposições. Tudo sempre em esquemas, no quadro, utilizando giz colorido para melhor fixação. Aliás, também é bom que além de escrever, você vá lendo o que está colocando no quadro e os alunos copiem simultaneamente. Por quê? Têm pessoas que são mais visuais (meu caso), outras mais auditivas e outras que são os dois. Fixam melhor lendo, ou melhor ouvindo, e também têm os casos em que escrever é que faz fixar a matéria. Cada um deles têm uma porcentagem no aprendizado e é improtante que em matérias importantes você utilize todos os recursos.

Faça um quadro, então, com as preposições. Até hoje sei de cor todas, pois lembro que a professora da 4ª série escreveu do lado direito do quadro a tabela... bem visual não? Feito isso, passemos para a revisão de artigo: usa antes do substantivo (nome) para dar sentido definido ou indefinido. Mostre quais são.

Agora entramos no uso da crase em si. Se os itens anteriores não ficarem claros, retome antes de fazer a explicação das regras da crase, senão, não haverá aprendizado.

Passemos para as regras em que SEMPRE USAMOS CRASE. Atenção: mostre primeiro sempre o que é a favor, o que usa sem exceção para não fazer confusão na cabeça dos estudantes.

SEMPRE USAMOS CRASE:
Horas > Sairei às três horas.
Locução adverbial, prepositiva e conjuntiva feminina > à tarde, à frente de , à medida de...

ÀS VEZES, É PRECISO CUIDADO:
1- diante de uma palavra masculina quando uma palavra feminina estiver subentendida.
Ex: Ele tem um estilo à Machado de Assis.
(à maneira)
A entrevista foi dada à Globo.
(à rede)

2- é facultativo antes de pronomes possessivos e nomes próprios femininos.
Ex: Desejo felicidades a sua irmã.
(à sua = para a sua)
Desejo felicidades a Joana.
(à Joana = para a)

3- nomes de lugares. Basta substituir o A pela preposição PARA. Se o A for necessário, a CRASE também é.
Ex: Fui à Alemanha. > Fui para A Alemnha
Fui a Campinhas. > Fui para Campinas.

Agora, faça exercícios em que só apareçam estas dois tipos, o sempre e o às vezes. Amanhã colocarei o NUNCA e alguns exercícios. É importante ir assim, por aprtes, para não jogar um monte de regras de uma só vez ok?

Até amanhã!